Olhaste-me. Não, não me olhaste, eu é que gosto de pensar que o farias se assim pudesses. Eu gosto e quero, mas acontece que querer não é, de facto, poder. Mas deixa-me continuar. Olhaste-me e eu olhei-te. Não estou habituado a procurar nada mais nos olhos das pessoas que as orbes cintilantes que me surgem, mas contigo foi diferente. Sempre que aparece alguém com quem eu simpatizo eu tenho tendência para dizer que é diferente, mas contigo é diferente de uma forma diferente. Sim, agora eu enrolei as palavras nelas mesmas, mas acredito que percebes, ainda assim. Perdi-me nos teus olhos. Acho que criei um mundo só meu que tu naquele instante soubeste agarrar na palma da tua mão sem me deixares sair ou sem eu o tentar fazer. Desviei o olhar de ti para o focar noutro ponto distinto que não me deixasse tão nervoso.
Dizíamos palavras em surdina, quase imperceptíveis. O silêncio cobria o mundo, e eu sentia o meu coração a bater, quase posso jurar que também o ouvias. Não tinha, ou pelo menos não queria ter noção de mais nada para além de ti. As paredes, a porta, a janela, as lâmpadas, eram simplesmente ignoradas. Na verdade, todo o espaço físico, incluindo o chão que se mantinha tremulo por debaixo de nós era invisível e insensível. Tinha medo de me mexer e cair, mas ainda assim, incitei o meu corpo a mover-se de encontro ao teu. Disse-te o que tinha a dizer e saí sem olhar para trás. Fechei a porta e apressei-me a colocar-me na rua. Respirava agora o ar semi gelado que pairava sobre ela.
Não havia luz nos candeeiros e o vento soprava, obrigando a relva esverdeada a deitar-se no chão, lutando para se manter junta, como que friccionando-se contra si mesma para não congelar. Eu fixava os olhos em qualquer ponto que conseguisse contemplar, numa tentativa quase vã de manter as lágrimas que me faziam ver tudo desfocado. O mundo comportava-se quase tão teatral como musicalmente. Era confuso, eu já não distinguia o passado do presente, já não me distinguia a mim de ti. Mas as pernas falharam-me. O corpo falhou-me, o cerebro e o coração. Deixei-me ficar estático no chão. E o tempo passou. As pessoas olhavam. E eu só te via a ti.














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Playing with a game of colours named life... But the drawings are in black and white^^
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I said: heaven aint close in a place like this
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Playing with a game of colours named life... But the drawings are in black and white^^
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I said: heaven aint close in a place like this
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